- Durante décadas, os mapas mundiais apresentaram uma imagem enganosa da dimensão da África. A ONU acaba de abrir caminho para a mudança. Na sexta-feira, 4 de setembro, a Assembleia Geral adotou uma resolução, patrocinada pelo Togo em nome da União Africana, para promover mapas que representem com mais precisão a verdadeira dimensão dos continentes.
O texto, intitulado "Corrigir o Mapa", recebeu 164 votos a favor. Os Estados Unidos votaram contra, enquanto seis países se abstiveram.
No cerne da controvérsia está a projeção de Mercator, usada desde o século XVI. Originalmente concebida para a navegação, ela amplia visualmente os territórios localizados longe do equador e reduz aqueles próximos a ele. Assim, a África parece muito menos imponente do que realmente é.
O continente africano, no entanto, abrange mais de 30 milhões de km². Em contrapartida, a Groenlândia, frequentemente representada em mapas como sendo quase tão grande quanto a África, é cerca de quatorze vezes menor.
A resolução incentiva, portanto, o uso das chamadas projeções "equivalentes", que são mais capazes de refletir os tamanhos relativos das diferentes regiões do mundo. A projeção "Terra Equivalente" é um dos modelos destacados.
Para o Togo e a União Africana, a questão não é meramente técnica. Um mapa ajuda a moldar a percepção que as pessoas têm do mundo. Corrigir essas representações significa, portanto, rever uma imagem da África que há muito tempo é redutiva em materiais escolares, atlas e certas ferramentas digitais.
Com essa votação, a África obtém, assim, um apoio internacional massivo para uma reivindicação que abrange geografia, educação e a forma como o continente é representado no mundo.
Yolande Bazié
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